quarta-feira, 26 de abril de 2017

Calvino e a prosperidade.

A FÉ NÃO CONTEMPLA A PROSPERIDADE TERRENA, MAS A SALVAÇÃO E A VIDA ETERNA.

Ora, na benevolência divina, à qual dizemos que a fé contempla, entendemos que se obtém a posse da salvação e da vida eterna. Ora, se não pode faltar-nos bem algum quando Deus nos acolhe sob sua proteção, é suficiente segurança de nossa salvação que ele nos testifique o amor que nos tem. "Mostre ele sua face", diz o Profeta, "e seremos salvos" [Sl 80.3,7,19].

Do quê as Escrituras formulam esta síntese de nossa salvação: que, uma vez abolidas todas as inimizades, ele nos recebeu em sua graça [Ef 2.14,15]. Com isto dão evidentemente a entender que, uma vez que Deus esteja reconciliado conosco, não resta o menor perigo de que todas as coisas não nos sucedam bem. Portanto, a fé, aprendendo o amor de Deus, tem as promessas da vida presente e da vida futura [1 Tm 4,8], bem como a firme certeza de todas as coisas boas, a qual, porém, pode ser depreendida da Palavra.

Ora, por certo a fé não promete longevidade, nem honra, nem riquezas nesta presente vida, uma vez que nada destas coisas o Senhor quis que nos fosse destinado; pelo contrário, vivemos contentes com esta certeza: por mais que nos faltem muitas coisas que dizem respeito ao sustento desta vida, Deus, no entanto, jamais nos haverá de faltar. Mas, sua primordial certeza reside na expectação da vida futura que, pela Palavra de Deus, foi posta além de toda dúvida. Entretanto, quaisquer que sejam na terra as misérias e calamidades que esperem aqueles a quem Deus já abraçou com seu amor, não podem impedir que sua benevolência lhes seja a plena felicidade. Daí, quando queríamos exprimir a suma da bem-aventurança, mencionamos a graça de Deus, de cuja fonte nos emanam todas as espécies de bênçãos. E isto, a cada passo, se pode observar nas Escrituras: que somos encaminhados ao amor do Senhor que, vezes sem conta, trata não só da salvação eterna, mas até de qualquer outro bem nosso. Razão por que Davi canta: a bondade divina, quando é sentida no coração piedoso, é mais doce e mais desejável do que a própria vida [Sl 63,3].

Enfim, se tivéssemos tudo, segundo nosso desejo, mas vivêssemos incertos quanto ao amor ou ao ódio de Deus, nossa felicidade seria maldita, e por isso desditosa. Mas se Deus nos mostra seu rosto de Pai, até as próprias misérias nos serão para felicidade, pois se converterão em auxílio para a salvação.

Assim é que Paulo, enfeixando todas as coisas adversas, entretanto se gloria de que não somos por elas separados do amor de Cristo [Rm 8.34-39], e em suas preces sempre parte da graça de Deus, da qual emana toda prosperidade. De maneira semelhante, Davi contrapõe o favor de Deus a todos os temores que nos conturbam. "Se porventura eu andar em meio à sombra da morte, não temerei males, porque tu estás comigo" [Sl 23,4]. E sentimos sempre vacilar-nos o espírito, a não ser que, contentes com a graça de Deus, nela busquemos sua paz, profundamente arraigados no que lemos no Salmo: "Feliz é o povo cujo Deus é o Senhor, e a nação a quem ele elegeu por sua herança"[Sl 33,12].


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Autor: João Calvino

Fonte: CALVINO, João. As Institutas, Edição Clássica, Ed. Cultura Cristã, 2ª ed., 2006, vol. III, pp. 52-53.

sexta-feira, 31 de março de 2017

Jesus mandou dar o dízimo?



Você perguntou por que não estaríamos hoje, como cristãos, obrigados a dar o dízimo se o próprio Jesus disse nos evangelhos que o dízimo devia ser pago. Sim, ele disse em Mateus 23:23: "Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que dizimais a hortelã, o endro e o cominho, e desprezais o mais importante da lei, o juízo, a misericórdia e a fé; deveis, porém, fazer estas coisas, e não omitir aquelas." A mesma ordem ele repete em Lucas 11:42.

Mas em Mateus 8:4 ele também disse ao leproso curado para ir ao templo oferecer os sacrifícios ordenados pelos sacerdotes de Israel: "vai mostrar-te ao sacerdote e fazer a oferta que Moisés ordenou, para servir de testemunho ao povo." Esses sacrifícios para quem fosse curado de lepra haviam sido determinados em Levítico 14:4-7 que consistia de "duas aves vivas e limpas, e pau de cedro, e estofo carmesim, e hissopo", uma das quais era morta "num vaso de barro, sobre águas correntes", enquanto "a ave viva, e o pau de cedro, e o estofo carmesim, e o hissopo" deviam ser molhados "no sangue da ave que foi imolada sobre as águas correntes. E, sobre aquele que há de purificar-se da lepra" o sangue deveria ser aspergido "sete vezes; então, o declarará limpo e soltará a ave viva para o campo aberto."

Como você faria hoje caso fosse curado de lepra? Teria um grande problema, primeiro por não existir mais o Templo de Jerusalém. Se fosse até lá tentar oferecer um sacrifício na mesquita islâmica que ocupa hoje o lugar do Templo é provável que algum radical islâmico transformasse você em sacrifício. Você também teria dificuldade de encontrar um sacerdote da linhagem de Levi, como devia ser no mandamento dado pela Lei de Moisés.

Em Mateus 5:23-24, no caso de alguma desavença, Jesus instruiu: "Se, pois, ao trazeres ao altar a tua oferta, ali te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa perante o altar a tua oferta, vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; e, então, voltando, faze a tua oferta." Como você fará se brigar com um irmão? Isso terá sido um pecado e no Antigo Tesamento, o mesmo que estipulava o dízimo, os pecados exigiam sacrifícios de animais.

Para complicar um pouco mais, veja o que Jesus diz no mesmo capítulo: "Porque em verdade vos digo: até que o céu e a terra passem, nem um i ou um til jamais passará da Lei, até que tudo se cumpra. Aquele, pois, que violar um destes mandamentos, posto que dos menores, e assim ensinar aos homens, será considerado mínimo no reino dos céus; aquele, porém, que os observar e ensinar, esse será considerado grande no reino dos céus." (Mt 5:18).

O dízimo, a oferta pela cura e os sacrifícios pelos pecados, incluindo ofensas contra seu irmão, eram ditados pela Lei dada a Moisés. Portanto, se quiser guardar um mandamento — como o dízimo, por exemplo — terá também de guardar os outros. Mas você talvez alegue que dos sacrifícios de animais nós estamos isentos agora que o Cordeiro de Deus morreu por nós. Bem, mas não eram apenas sacrifícios de animais que eram exigidos pela Lei. Veja alguns exemplos:

"Aquele que blasfemar o nome do Senhor, certamente morrerá; toda a congregação certamente o apedrejará; assim o estrangeiro como o natural, blasfemando o nome do Senhor, será morto." (Lv 24:16).

"Quando um homem amaldiçoar a seu pai ou a sua mãe, certamente morrerá; amaldiçoou a seu pai ou a sua mãe; o seu sangue será sobre ele." (Lv 20:9).

"Também o homem que adulterar com a mulher de outro, havendo adulterado com a mulher do seu próximo, certamente morrerá o adúltero e a adúltera." (Lv 20:10).

"Seis dias se trabalhará, mas o sétimo dia vos será santo, o sábado do repouso ao Senhor; todo aquele que nele fizer qualquer trabalho morrerá." (Êx 35:2).

"Porém se isto for verdadeiro, isto é, que a virgindade não se achou na moça, então levarão a moça à porta da casa de seu pai, e os homens da sua cidade a apedrejarão, até que morra; pois fez loucura em Israel, prostituindo-se na casa de seu pai; assim tirarás o mal do meio de ti." (Dt 22:2021).

"Quando também um homem se deitar com outro homem, como com mulher, ambos fizeram abominação; certamente morrerão; o seu sangue será sobre eles." (Lv 20:13).

Agora, para encerrar por aqui (porque são muitos os mandamentos da Lei semelhantes a estes e punidos com a morte), vou acrescentar o mandamento que você mencionou:

"Também todas as dízimas do campo, da semente do campo, do fruto das árvores, são do SENHOR; santas são ao Senhor..." (Lv 267:30 etc.).

Então, para sua pergunta se Jesus mandou dar o dízimo, a resposta mais uma vez é: Sim, ele mandou, porque o contexto ali dos evangelhos é o judaísmo e ele está tratando com judeus, o povo escolhido por Deus para habitar na terra. Havia o Templo, havia sacerdotes, sacrifícios, pena de morte por apedrejamento para adúlteros, virgens que fornicaram, homossexuais e até filhos que ofendessem os pais. E eram exigidos sacrifícios para quem brigasse com um irmão.

Se você não entender o que na Bíblia é dito a Israel sob a Lei, e o que é dito à Igreja, que só foi formada depois do período dos evangelhos, no capítulo 2 de Atos, irá sempre precisar escolher o que da Lei irá ou não cumprir. É isso que a maioria das religiões cristãs que seguem a Teologia do Pacto fazem, por não entender as diferentes dispensações.

Porém, ao fazer isso — ou seja, escolher qual mandamento da Lei irá ou não cumprir — estará trombando naquilo que Jesus disse: "Aquele, pois, que violar um destes mandamentos, posto que dos menores, e assim ensinar aos homens, será considerado mínimo no reino dos céus; aquele, porém, que os observar e ensinar, esse será considerado grande no reino dos céus." (Mt 5:18), e também no que Tiago escreveu: "Porque qualquer que guardar toda a lei, e tropeçar em um só ponto, tornou-se culpado de todos." (Tg 2:10).

Agora preste muita atenção principalmente neste versículo de Tiago e você verá que todo o dinheiro que deu a vida inteira de nada terá valido se você tiver falhado em cumprir qualquer outro ponto da Lei. Será culpado de todos. E, para dificultar ainda mais as coisas, até na hora de dar o dízimo você certamente não cumpriu tudo do jeito que estava escrito: "Trazei todos os dízimos à casa do tesouro" (Ml 3:10). A "casa do tesouro" não é a tesouraria de alguma "igreja" abrigada em um templo de tijolos feito por homens. A "casa do tesouro" era um aposento do Templo de Jerusalém que foi destruído há quase dois mil anos. Não existe mais. Onde então você iria levar o seu dízimo?

por Mario Persona

Breve Resumo de Cristologia



O objetivo deste artigo é fornecer uma breve apresentação da Cristologia ortodoxa. A necessidade de tratar de tal tema se percebe pelo fato de que muitos crentes têm conceitos e noções erradas sobre a pessoa, naturezas e obras de Cristo. A relevância do assunto é evidente por si só - alguém questionaria a importância de estudar sobre Jesus Cristo?

UNIDADE DA PESSOA DE CRISTO

Confessamos que Jesus Cristo é uma Pessoa divina. A Pessoa do Filho foi gerada pelo Pai na eternidade, como um segundo modo de subsistência na essência da Trindade (Provérbios 8.22-26; Miquéias 5.2; João 1.18).[1] A crença de que Jesus é uma só Pessoa divina deve ser afirmada contra a heresia nestoriana, segundo a qual “haveria duas pessoas, em Jesus - uma divina e outra humana - unidas entre si por um vinculo afetivo ou moral”[2], e contra as heresias unicistas, que negam a distinção pessoal do Filho em relação ao Pai. O fato de Jesus ser uma única Pessoa significa que a Segunda Pessoa da Trindade é o sujeito de todas as ações de Cristo, mesmo aquelas feitas em razão de Sua humanidade.[3] É por isso que se pode dizer corretamente que Deus morreu na cruz (Atos 20.28; 1 Coríntios 2.8) ou que Maria é mãe de Deus[4] (Isaías 9.6; Mateus 1.23; Lucas 2.11; Romanos 9.5).

Todavia, não basta afirmar simplesmente que a Pessoa divina do Filho é o Sujeito de suas ações. Ainda precisamos responder a uma questão levantada por Gary Cramptom: “...se Jesus Cristo tem duas naturezas completas, uma plenamente divina e outra plenamente humana, e, todavia, ele é uma Pessoa divina indivisa, como essa Pessoa pode ser genuinamente humana?”[5] Sobre isso, devemos rejeitar a ideia de que a humanidade de Cristo é impessoal (anipostasia) e afirmar que a natureza humana de Cristo foi pessoalizada na Pessoa do Verbo (enipostasia), desse modo a Pessoa do Filho é o Deus – Homem Jesus Cristo.[6] Por isso podemos dizer que o Homem Jesus é o sujeito mesmo das ações feitas em razão da Sua divindade (João 3.13; 6.62). É essencial, portanto, que não pensemos que exista um Jesus Homem e um Jesus Deus, mas sim, que há uma só Pessoa do Filho: o Deus – Homem, Jesus.

NATUREZAS DE CRISTO

Jesus sempre teve uma natureza divina, a qual recebeu do Pai por comunicação (João 5.26). Afirmamos que Jesus é eternamente divino (João 1.1-3) e possui todos os atributos de Deus (Colossenses 2.9). No entanto, por ocasião da encarnação, Jesus assumiu a natureza humana para sempre, sem deixar de lado Sua natureza divina (Filipenses 2.6-7). Desse modo, Jesus é plenamente humano (1 Timóteo 2.5). Devemos afirmar essas coisas contra algumas heresias [7]:

1. Apolinarianismo: Os apolinários negavam que Jesus fosse totalmente homem, afirmando que o Logos tomou o lugar do seu espírito humano. Contra essa heresia, declaramos que Cristo assumiu toda a natureza humana, e por isso, possui um corpo e uma alma humanos.

2. Eutiquianismo: De acordo com essa heresia, a natureza divina absorveu a natureza humana. Contra os eutiquianos, é necessário dizer que Cristo teve adicionado à Sua natureza divina, a natureza humana, de modo que, embora inseparáveis, elas permanecem distintas. Dessa forma, as propriedades das duas naturezas não se misturam. Cristo continua sendo imortal, ilimitado, etc. em razão de sua natureza divina, mas também era mortal, limitado, sujeito  etc. em razão da sua natureza humana.

3. Arianismo: Os arianos negam que Jesus seja absolutamente divino, afirmando que ele é um ser criado. A visão ortodoxa, no entanto, diz que Jesus possui todos os atributos da natureza divina, de modo que Ele é verdadeiramente o Deus Eterno.

4. Docetismo: Os docetas negavam que Jesus fosse plenamente humano, pois não poderia ter assumido a carne humana já que, segundo eles, a matéria é má. Contra essa heresia, afirmamos que Jesus é cem por cento homem.

5. Teologia Kenótica: Os kenóticos afirmam que Jesus deixou de ser Deus quando se tornou humano. Em resposta confessamos que, embora Jesus tenha voluntariamente limitado o uso de seus atributos divinos, Ele não deixou de ser divino quando se tornou humano.

TRÍPLICE OFÍCIO DE CRISTO

Cristo, como o Messias, foi ungido para exercer três ofícios: Profeta, Sacerdote e Rei. Ele é o Profeta em quem culminam todas as profecias, o Sacerdote que efetuou nossa expiação e reconciliação e que intercede por nós e o Rei de um reino espiritual e eterno.[8] Cristo exerce suas funções de Profeta, Sacerdote e Rei de diferentes modos[9]:

1. Como Profeta: “Cristo exerce as funções de profeta revelando a igreja em todos os tempos, pelo seu Espírito e Palavra, por diversos modos de administração, toda a vontade de Deus em todas as coisas concernentes à sua edificação e salvação. (João 1.18; 1 Pedro 1.10-12; Hebreus 1.1-2; João 15.15; Efésios 4.11-13; João 20.31)”.

2. Como Sacerdote: “Cristo exerce as funções de sacerdote oferecendo-se a si mesmo uma vez em sacrifício sem mácula, a Deus, para ser a reconciliação pelos pecados do seu povo e fazendo contínua intercessão por ele (Hebreus 9.14, 28; 2.17; 7.35)”.

3. Como Rei: “Cristo exerce as funções de rei chamando do mundo um povo para si, dando-lhe oficiais, leis e disciplinas para visivelmente o governar; dando a graça salvadora aos seus eleitos; recompensando a sua obediência e corrigindo-os por causa dos seus pecados; preservando-os por causa dos seus pecados; preservando-os e sustentando-os em todas as tentações e sofrimentos; restringindo e vencendo todos os seus inimigos, e poderosamente dirigindo todas as coisas para a sua própria glória e para o bem do seu povo; e também castigando os que não conhecem a Deus nem obedecem ao Evangelho.” (Isaías 55.5; Gênesis 49.10; 1 Coríntios 12.28; João 15.14; Mateus 18.17-18; Atos 5:31; Apocalipse 22:12; 3.19; Romanos 8:37-39; 1 Coríntios 15.25; Romanos 14.11; 8.28; 2 Tessalonicenses 1.8; Salmos 2.9)”.

ESTADOS DE HUMILHAÇÃO E EXALTAÇÃO

Os estados de humilhação de Cristo vão desde Sua encarnação até a Sua morte. Jesus “...nasceu da virgem Maria; padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado; desceu ao Hades”[10]. Cristo se humilhou quando pôs de lado Sua majestade divina e assumiu a natureza humana como ela é desde a Queda (fraca e mortal), com exceção do pecado (Hebreus 2.17, 4.15). Fazem parte das humilhações de Cristo, Sua vida na Terra que foi toda de sofrimento e Sua morte expiatória e vicária. [11] A descida de Jesus ao Hades significa simplesmente que Jesus desceu ao túmulo e não que Ele desceu ao Inferno propriamente. “Ser sepultado”, “Descer ao túmulo” e “Descer ao Hades” são expressões biblicamente equivalentes (Gênesis 37.35; Salmos 30.4). [12]

A exaltação de Cristo tem como primeiro estágio Sua Ressurreição. É importante considerarmos os estágios que vão desde Sua ressurreição até a Sua futura segunda vinda. Cremos que Jesus ressuscitou fisicamente com o mesmo corpo com o qual morreu, porém glorificado (João 2.19; Lucas 24.39-42; 1 Coríntios 15.20, 53). Do mesmo modo, Jesus subiu aos céus com o mesmo corpo físico no qual viveu e morreu [13], foi entronizado à mão direita de Deus [14] e retornará fisicamente com esse mesmo corpo para “...julgar os vivos e os mortos.” [15] (Atos 1.9-11).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Crer na cristologia ortodoxa é essencial para a fé evangélica. Confessamos que há uma só Pessoa em duas naturezas completas (a natureza divina e a natureza humana), inseparáveis, porém distintas. Reconhecemos Cristo Jesus como o nosso Profeta, Sacerdote e Rei, “...o qual foi concebido por obra do Espírito Santo; nasceu da Virgem Maria; padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado; desceu ao Hades; ressurgiu dos mortos ao terceiro dia; subiu ao Céu; está assentado a mão direita de Deus Pai Todo-Poderoso, de onde há de vir para julgar os vivos e os mortos.” [16].

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FONTES:
[1] http://brunosunkey.blogspot.com.br/2016/04/a-geracao-eterna-do-filho.html
[2] http://www.clerus.org/clerus/dati/2009-01/02-13/As_Heresias_Cristologicas_e_Trinitarias.html
[3]http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p1s2cap2_422-682_po.html
[4] É importante distinguir a ideia de mãe de Deus (theótokos), conforme aparece na Declaração ortodoxa de Calcedônia, da noção mariolátrica de Mãe de Deus presente no Romanismo. A primeira tem como objetivo realçar a deidade e a unidade pessoal de Cristo, enquanto a segunda sustenta a heresia idólatra do culto de hiperdulia.
[5]http://www.monergismo.com/textos/cristologia/unidade_pessoa_cristo_crampton.htm
[6] FERREIRA, F. & MYATT. Teologia Sistemática - VIDA NOVA,  207. p.492.
[7] FERREIRA, F. & MYATT. Teologia Sistemática - VIDA NOVA,  207. Pp. 487, 488, 529, 530.
[8] Institutas II.XV, pp. 248-256.

[9] Catecismo Maior de Wesminster, perguntas 43, 44, 45. Disponível em:http://www.monergismo.com/textos/catecismos/catecismomaior_westminster.htm

[10] Credo Apostólico:http://presbiterianoscalvinistas.blogspot.com.br/2010/05/o-credo-apostolico.html
[11]  BERKHOF, L. (2012). Manual de doutrina cristã. São Paulo: Cultura Cristã, p. 141.
[12]  HODGE, C. (2001). Teologia Sistemática. São Paulo: Hagnos,p.944.
[13] GEISLER, N. Teologia Sistemática 1. Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembleias de Deus, p. 1095.
[14] BERKHOF, L. (2012). Manual de doutrina cristã. São Paulo: Cultura Cristã, p. 141.
[15] Credo Apostólico:http://www.monergismo.com/textos/credos/credoapostolico.htm
[16] Credo Apostólico:https://ipbicara.wordpress.com/2013/01/20/credo-apostolico/


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Autor: Bruno dos Santos Queiroz
Fonte: Bereianos

Como agir quando nao existe um mandamento explicito na Biblia?

O cristão não vive sob a Lei e nem é movido em todas as situações por mandamentos explícitos, mas pelo Espírito de Deus que nos ensina pela sua Palavra. Por isso não faz sentido perguntar se "pode" ou não "pode" para saber como andar de maneira a agradar o Senhor. Por exemplo, "Posso jogar futebol?", "Posso fumar?", "Posso usar celular?", "Posso ir à praia?", "Posso ver TV?" etc. são apenas algumas das perguntas que costumo receber, para as quais não existe um mandamento explícito na Bíblia.

Em algumas coisas e situações o que Deus deseja de nós está muito claro nas páginas das Escrituras, mas em outras precisaremos ter o discernimento que vem do Espírito de Deus e muitas vezes agir com base, não em mandamentos explícitos, mas em princípios encontrados na Palavra, para o que é preciso ser observador para detectar suas sutilezas. Quando começamos a desprezar essa sutilezas — como são, por exemplo, os princípios — logo acabamos fazendo pouco caso de coisas mais explícitas até que tudo acabe ficando à mercê da vontade de cada um.

Hoje é comum você apontar a alguém um princípio ou padrão sutil na Palavra e o outro dizer: "Ah, mas isso não é um mandamento, então fica a meu critério", ou "Ah, isso aí só aparece uma vez na Bíblia!", ou "Ah, foi só Paulo quem escreveu isso!". Quer um exemplo? Quantas vezes você mostrou algo na Palavra para alguém e a pessoa argumentou, "Ah, mas o importante não é ficar apegado à letra, mas amar as pessoas. O amor vem primeiro". E aí você vai na Palavra e descobre passagens como estas:

"Antes, seguindo a VERDADE em AMOR, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo" (Ef 4:15).

"Purificando as vossas almas pelo Espírito na obediência à VERDADE, para o AMOR fraternal, não fingido; amai-vos ardentemente uns aos outros com um coração puro" (1 Pe 1:22).

"Graça, misericórdia e paz, da parte de Deus Pai e da do Senhor Jesus Cristo, o Filho do Pai, seja convosco na VERDADE e AMOR." (2 Jo 1:3).

Por que será que o Espírito Santo escolheu colocar VERDADE antes de AMOR nestas passagens? Porque não pode existir amor genuíno a menos que esteja sendo praticado na VERDADE. Amor sem verdade nada mais é que afeição natural, algo que até animais possuem. Repare que esta ordem nas palavras é um detalhe sutil, mas o olho atento perceberá, desde que esteja acostumado a andar em proximidade do Pai e em comunhão com ele.

Quando eu era menino, meu pai não precisava dizer tudo que ele queria que eu fizesse. Às vezes bastava ele olhar para mim e eu sabia exatamente se ele estava contente, se estava me repreendendo, se queria que eu fosse para um lado ou para o outro. Nenhum outro menino entendia o que ele queria dizer, mas eu sim, porque conhecia a maneira de meu pai olhar. Esta é a maneira como Deus nos guia com o olhar, e não com rédeas.

Mas para que eu entendesse a vontade de meu pai apenas pela expressão de seu olhar precisei antes ouvir muitos "SIM!" e "NÃO!" verbais, e às vezes até acompanhados de disciplina, palmadas, chineladas e cintadas. Se você for da turma do "politicamente correto" não se preocupe; eu sobrevivi como Deus mesmo previa: "Não retires a disciplina da criança; pois se a fustigares com a vara, nem por isso morrerá." (Pv 23:13). Da mesma forma, se você não ficar encharcado da leitura da Palavra de Deus terá dificuldade de ter seus pensamentos formados por ela quando Deus precisar apenas olhar para você. E se não aprender das reprimendas e disciplinas que ele traz em sua vida, irá continuar como jumento teimoso sofrendo a falta de comunhão com o Pai.

Deus "argumenta convosco como filhos: Filho meu, não desprezes a correção do Senhor, E não desmaies quando por ele fores repreendido; porque o Senhor corrige o que ama, E açoita a qualquer que recebe por filho. Se suportais a correção, Deus vos trata como filhos; porque, que filho há a quem o pai não corrija? Mas, se estais sem disciplina, da qual todos são feitos participantes, sois então bastardos, e não filhos. Além do que, tivemos nossos pais segundo a carne, para nos corrigirem, e nós os reverenciamos; não nos sujeitaremos muito mais ao Pai dos espíritos, para vivermos? Porque aqueles, na verdade, por um pouco de tempo, nos corrigiam como bem lhes parecia; mas este, para nosso proveito, para sermos participantes da sua santidade. E, na verdade, toda a correção, ao presente, não parece ser de gozo, senão de tristeza, mas depois produz um fruto pacífico de justiça nos exercitados por ela." (Hb 12:5-11).

"Instruir-te-ei, e ensinar-te-ei o caminho que deves seguir; guiar-te-ei com os meus olhos. Não sejais como o cavalo, nem como a mula, que não têm entendimento, cuja boca precisa de cabresto e freio para que não se cheguem a ti." (Sl 32:8-9)

"Porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus. Porque não recebestes o espírito de escravidão, para outra vez estardes em temor, mas recebestes o Espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos: Aba, Pai. O mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus." (Rm 8:14-16).

"Digo, porém: Andai em Espírito, e não cumprireis a concupiscência da carne. Porque a carne cobiça contra o Espírito, e o Espírito contra a carne; e estes opõem-se um ao outro, para que não façais o que quereis. Mas, se sois guiados pelo Espírito, não estais debaixo da lei." (Gl 5:16)

Qual a diferenca entre circuncisao, incircuncisao e concisao?

Circuncisão é aquilo que os judeus praticam com a remoção da pele do prepúcio do órgão genital masculino, conforme encontramos em Gênesis 17:11: "E circuncidareis a carne do vosso prepúcio; e isto será por sinal da aliança entre mim e vós.". Por outro lado, a incircuncisão é a condição natural de quem não foi circuncidado. Por isso os gentios ou não judeus são chamados de "incircuncisos", às vezes também com sentido pejorativo.

Mas podem surgir dúvidas pelo uso inadequado do termo em diferentes traduções da Bíblia, como em Filipenses 3:2-3. Veja estas versões:

 Almeida Corrigida Fiel (ACF): "Guardai-vos dos cães, guardai-vos dos maus obreiros, guardai-vos da CIRCUNCISÃO" (Na versão 2011 a ACF traz "Guardai-vos dos cães, guardai-vos dos maus obreiros, guardai-vos da cortadura") 

New Version de John Nelson Darby (DBY): "See to dogs, see to evil workmen, see to the CONCISION." ("Cuidado com os cães, cuidado com os maus obreiros, cuidado com a CONCISÃO"). 

Almeida Revista e Atualizada (ARA): "Acautelai-vos dos cães; acautelai-vos dos maus obreiros; acautelai-vos da FALSA CIRCUNCISÃO". 

Algumas traduções traduziram a palavra grega "katatome" ("concisão") como se fosse "peritome" ("circuncisão"). "Circuncisão" era o que os judeus faziam e ainda fazem com os filhos, cortando e extraindo a carne do prepúcio. "Concisão" era meramente cortar, uma mutilação, sem tirar a carne. Isto faz toda a diferença e sentido no texto, se lembrarmos que "a carne para nada aproveita" (Jo 6:63) e que a passagem de Filipenses 3 segue dizendo: "porque a circuncisão somos nós, que servimos a Deus em espírito*, e nos gloriamos em Jesus Cristo, e não confiamos na carne" (Fp 3:3). 

Ou seja, no sentido que o apóstolo está tratando no texto, existe a "concisão", ou mera mutilação da carne sem extraí-la, existe a "circuncisão" prescrita na Lei mosaica e praticada pelo judaísmo, que nenhum poder real tem sobre a carne que, na prática, não é abandonada, e existe a verdadeira e atual "circuncisão" do cristão, que é o considerar a carne morta, em oposição à "circuncisão" do judaísmo. O apóstolo está se referindo à "circuncisão" dos verdadeiramente nascidos de Deus, que gloriam em Jesus Cristo, não confiam na carne e adoram a Deus "pelo Espírito" (como aparece na versão Darby, e não "em espírito" como na Almeida Corrigida Fiel, embora possa ser traduzido das duas formas). 
Algumas outras versões protestantes e católicas traduzem Filipenses 3:2 assim: 

(AVE MARIA) "Cuidado com esses cães! Cuidado com esses charlatães! Cuidado com esses mutilados!" 

(BRITÂNICA) "Acautelai-vos dos cães, acautelai-vos dos maus obreiros, acautelai-vos dos falsos circuncidados." 

(CNBB) "Cuidado com esses cães! Cuidado com esses charlatães! Cuidado com esses mutilados!" 

(NVI) "Cuidado com os cães, cuidado com esses que praticam o mal, cuidado com a falsa circuncisão!"   

quarta-feira, 29 de março de 2017

Ainda há esperança!

Porque há esperança para a árvore, que, se for cortada, ainda torne a brotar, e que não cessem os seus renovos. Ainda que envelheça a sua raiz na terra, e morra o seu tronco no pó, contudo ao cheiro das águas brotará, e lançará ramos como uma planta nova." (Jó 14:7-9)

ESPERANÇA - ATO DE ESPERAR O QUE SE DESEJA - EXPECTATIVA E ESPERA

ESPERANÇA?

“Onde está então minha esperança? Quem poderá ver alguma esperança para mim?” (Jó 17:15)

Jó estava perdendo a esperança de qualquer restauração da sua saúde ou da família, e envolveu-se em pensamentos de morte; pôs-se a pensar no descanso que a morte traria à sua mágoa e dor. As recompensas descritas pelos amigos de Jó estavam todas relacionadas a esta vida. Eles silenciaram sobre a possibilidade da vida após a morte.

NÃO PODEMOS AVALIAR A VIDA APENAS EM TERMOS DESTE MUNDO PRESENTE

Deus promete um futuro interminável e maravilhoso aos que lhe são fiéis.

HÁ ESPERANÇA, NÃO FOMOS ESQUECIDOS

“Pois o necessitado não será esquecido para sempre, nem a esperança dos pobres será frustrada perpetuamente.” (Salmos 9:18)

Os necessitados e aflitos do povo de Deus são objetos do seu cuidado especial:

"O Senhor é também um alto refúgio para o oprimido, um alto refúgio em tempos de angústia. Em ti confiam os que conhecem o teu nome; porque tu, Senhor, não abandonas aqueles que te buscam. Cantai louvores ao Senhor, que habita em Sião; anunciai entre os povos os seus feitos. Pois ele, o vingador do sangue, se lembra deles; não se esquece do clamor dos aflitos." (Salmos 9:9-12)

Eles têm de Deus a promessa de que não serão abandonados: "... Porque tu, Senhor, não abandonas aqueles que te buscam ..."(verso 10), que Ele se lembrará das suas orações:"... Porque tu, Senhor, não abandonas aqueles que te buscam ..." (verso 12).

CREIAMOS, AINDA HÁ ESPERANÇA

“Sentir-te-ás seguro, porque haverá esperança; olharás em derredor e dormirás tranqüilo.” (Jó 11:18)

Jó, renovaria a sua esperança. Ele olharia em redor e não veria perigo. Seria capaz de descansar à noite em paz, em contraste com suas voltas na cama, em suas dores:

"Havendo-me deitado, digo: Quando me levantarei? Mas comprida é a noite, e farto-me de me revolver na cama até a alva." (Jó 7: 4)

Jó dissera que estava “sem esperança”: "Os meus dias são mais velozes do que a lançadeira do tecelão, e chegam ao fim sem esperança." (Jó 7:6)

Mas Deus traria esperança a uma situação destituída de esperança.

DESCANSEMOS EM DEUS, DELE VEM A NOSSA ESPERANÇA

“Ó minha alma, espera silenciosa somente em Deus, porque dele vem a minha esperança.”(Salmos 62:5)

O salmo 62 expõe um princípio que todo crente deve adotar. Em tempos difíceis, de aflição, ou oposição da parte dos inimigos, devemos voltar-nos para Deus como nosso verdadeiro refúgio e libertador.

TODO AQUELE QUE CONFIA EM DEUS DEVERÁ DIZER:

Não permitirei que nenhuma aflição, crise, ou sofrimento abale a minha confiança em Deus - "Só ele é a minha rocha e a minha salvação; é ele a minha fortaleza; não serei grandemente abalado." (Salmos 62:2). Somente dEle vem o meu livramento, mas Ele mesmo é a minha salvação e a minha fortaleza -"Só ele é a minha rocha e a minha salvação; é a minha fortaleza; não serei abalado. Em Deus está a minha salvação e a minha glória; Deus é o meu forte rochedo e o meu refúgio." (Salmos 62:6-7)Nos tempos de preocupação ou ameaças, eu lhe entregarei os meus cuidados e, em fervente oração, lhe falarei tudo o que há no meu coração -"Não andeis ansiosos por coisa alguma; antes em tudo sejam os vossos pedidos conhecidos diante de Deus pela oração e súplica com ações de graças."(Filipenses 4:6)Esperarei no Senhor para que Ele aja em meu favor, seguro de que Ele responderá com misericórdia e compaixão, tendo em vista os meus apertos - "Uma vez falou Deus, duas vezes tenho ouvido isto: que o poder pertence a Deus. A ti também, Senhor, pertence a benignidade; pois retribuis a cada um segundo a sua obra." (Salmos 62:11-12)

SOMOS BEM-AVENTURADOS, NOSSA ESPERANÇA ESTÁ EM DEUS

“Bem-aventurado aquele que tem o Deus de Jacó por seu auxílio e cuja esperança está posta no SENHOR, seu Deus.” (Salmos 146:5)

"Não confieis em príncipes, nem em filho de homem, em quem não há auxílio. Sai-lhe o espírito, e ele volta para a terra; naquele mesmo dia perecem os seus pensamentos. Bem-aventurado aquele que tem o Deus de Jacó por seu auxílio, e cuja esperança está no Senhor seu Deus que fez os céus e a terra, o mar e tudo quanto neles há, e que guarda a verdade para sempre; que faz justiça aos oprimidos, que dá pão aos famintos. O Senhor solta os encarcerados; o Senhor abre os olhos aos cegos; o Senhor levanta os abatidos; o Senhor ama os justos." (Salmos 146:3-8)

O salmista afirma que os poderosos deste mundo são salvadores inadequados, pois fazem falsas promessas que não podem cumprir: "Não confieis em príncipes, nem em filho de homem, em quem não há auxílio. Sai-lhe o espírito, e ele volta para a terra" (verso 3). Deus é a esperança e ajuda dos necessitados.

Jesus afirmou a sua preocupação com os pobres e os aflitos:

"O Espírito do Senhor está sobre mim, porquanto me ungiu para anunciar boas novas aos pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos, e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos, e para proclamar o ano aceitável do Senhor. E fechando o livro, devolveu-o ao assistente e sentou-se; e os olhos de todos na sinagoga estavam fitos nele ..." (Lucas 4:18-21)

"Naquela mesma hora, curou a muitos de doenças, de moléstias e de espíritos malignos; e deu vista a muitos cegos. Então lhes respondeu: Ide, e contai a João o que tens visto e ouvido: os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são purificados, e os surdos ouvem; os mortos são ressuscitados, eaos pobres é anunciado o evangelho ..."(Lucas 7:21-23)

ELE NÃO SEPAROU AS NECESSIDADES FÍSICAS DAS ESPIRITUAIS, POIS ATENDE A AMBAS

Enquanto Deus, não o governo, é a esperança dos necessitados, nós somos seus instrumentos para ajudá-los aqui na terra.

FOMOS REGENERADOS PARA UMA ESPERANÇA VIVA

"Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo! Conforme a sua grande misericórdia, Ele nos regenerou para uma esperança viva, por meio da ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos.” (1 Pedro 1: 3)

"Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua grande misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma herança incorruptível, incontaminável e imarcescível, reservada nos céus para vós, que pelo poder de Deus sois guardados, mediante a fé, para a salvação que está preparada para se revelar no último tempo; na qual exultais, ainda que agora por um pouco de tempo, sendo necessário, estejais contristados por várias provações." (1 Pedro 1:3-6)

VOCÊ PRECISA DE ENCORAJAMENTO?

As palavras de Pedro oferecem alegria e esperança nos tempos difíceis; o apóstolo baseia sua confiança no que Deus fez por nós em Jesus Cristo. Vivemos com a maravilhosa expectativa da vida eterna.

Nossa esperança não é somente para o futuro; a vida eterna começa quando confiamos em Cristo e nos unimos à família de Deus. Não importa o tipo de dor ou provação que venhamos a enfrentar nesta vida, sabemos que estas não serão nossa experiência final.

Um dia, viveremos com Cristo - sempre.

AGUARDEMOS A BEM-AVENTURADA ESPERANÇA

“Aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo.” (Tito 2:13)

A “bem-aventurada esperança” pela qual todo cristão deve ansiar é o “Aparecimento da Glória do Grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo” e a nossa união com Ele por toda a eternidade.

"E, se eu for e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos tomarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também." (João 14:3)

Essa esperança pode ser concretizada a qualquer momento:

"Vigiai, pois, porque não sabeis em que dia vem o vosso Senhor." (Mateus 24:42);

"E sede semelhantes a homens que esperam o seu senhor, quando houver de voltar das bodas, para que, quando vier e bater, logo possam abrir-lhe. Bem-aventurados aqueles servos, aos quais o senhor, quando vier, achar vigiando! Em verdade vos digo que se cingirá, e os fará reclinar-se à mesa e, chegando-se, os servirá. Quer venha na segunda vigília, quer na terceira, bem-aventurados serão eles, se assim os achar. Sabei, porém, isto: se o dono da casa soubesse a que hora havia de vir o ladrão, vigiaria e não deixaria minar a sua casa. Estai vós também apercebidos; porque, numa hora em que não penseis, virá o Filho do homem." (Lucas 12:36-40);

"Portanto, irmãos, sede pacientes até a vinda do Senhor. Eis que o lavrador espera o precioso fruto da terra, aguardando-o com paciência, até que receba as primeiras e as últimas chuvas. Sede vós também pacientes; fortalecei os vossos corações, porque a vinda do Senhor está próxima. Não vos queixeis, irmãos, uns dos outros, para que não sejais julgados. Eis que o juiz está à porta." (Tiago 5:7-9)

Assim sendo, os cristãos nunca devem abrir mão da sua expectativa mantida em oração de que talvez ainda hoje a trombeta soará e o Senhor voltará.

Três significados bíblicos para esperança!

"Abraão, esperando contra a esperança, creu, para vir a ser pai de muitas nações, segundo lhe fora dito: Assim será a tua descendência" Rm 4:18


Esperando contra a esperança, essa frase é curiosa . Como pode alguém “esperar contra a esperança”? Abraão realizou esse feito e se ele foi um homem que agradou a Deus, certamente devemos aprender com ele. Há um ditado popular que diz: esperança é a última que morre, a verdade é que nossa esperança, de fato morreu, mas ressuscitou ao terceiro dia, Ela se chama Jesus. Esta foi a causa que fez Abraão esperar vinte e cinco anos pela realização de uma promessa, sem perder a alegria diária.  Abraão era um homem de oração e colocava toda sua expectativa no Senhor Deus e não no aspecto natural das coisas. Jesus é a própria esperança tanto dos antigos como das novas gerações e isso pode ser constatado em uma análise Bíblica sobre o significado da Palavra. Há pelo menos três versões Bíblicas para esperança, vamos conhecê-las?



Três esperanças:

Tiqvah:Vem do verbo hebraico gavah que significa: “Olhar esperançosamente em uma direção particular” ou “esticar uma corda” (Strong 08615) Essa foi a esperança realizada na vida de Raabe ( Josué 2: 18 - 21) e que aparece cerca de 33 vezes somente no Antigo Testamento. Esperança era o cordão na cor vermelha esticado na porta da casa de Raabe, para livrar a ela e a toda família da morte. E em acordo com a afirmação de que Jesus era a esperança tanto dos antigos, como das novas gerações, Ele é essa Tiqvah na porta da casa de Raabe em semelhança ao sangue espargido na entrada das  tendas dos israelitas ao serem  resgatados da servidão do Egito: Êxodo 12:13: 13: “ O sangue será um sinal para indicar as casas em que vocês estiverem; quando eu vir o sangue, passarei adiante. A praga de destruição não os atingirá quando eu ferir o Egito.” Profeta Oseias confessou  olhar atentamente para Deus a espera de um resgate para nação de Israel. É linda a oração desse profeta cheio de esperança:


 “ E lhe darei as suas vinhas dali e o Vale de Acor por porta de esperança; e ali cantará como nos dias de sua mocidade, e como no dia em que subiu do Egito” Oseias 2:15.


O Vale de Acor foi o lugar onde o israelita Acã foi morto com toda a família por roubar e mentir. Esse vale também era chamado de “vale dos problemas” e Oseias, utilizando o sentido Tiqvah, profetiza que em Cristo (A porta de esperança) todo problema pode ser convertido em alegria, em canção. Em Cristo, todos poderiam ser libertos da escravidão e da semelhante morte de Acã.  Meu Deus, isso é grandioso, e não é um sonho feito de palha, é realidade! Milhões de pessoas em todo o mundo estão confessando essa esperança e tendo as vidas transformadas. Estão cantando novas canções em substituição aos gemidos de morte.





Yachal: É o mesmo que  “permanecer confiante”, “aguardar pacientemente” (Strong 03176). Ocorre pelo menos 38 vezes no Antigo Testamento, isto é: de forma explicita, porque “yachad' é revestimento dos que põem a força da vida no Senhor Jesus, e destes se faz a história de fé e milagres em todas as gerações. A primeira ocorrência de Yachad está ligada a vida de Noé em Gênesis 8:10: “E esperou ainda outros sete dias, e tornou a enviar a pomba fora da arca. " Noé aguardou firmemente e enquanto a arca balançava sobre as águas do dilúvio, ele acreditava alegremente que veria novamente a terra seca, pisaria sobre ela com toda sua família. Os animais correriam para seus lugares também alegremente,  saltitando entre pastos e riachos. Noé esperou o retorno da pombinha trazendo uma folha verdosa em seu bico, que símbolo magnifico de esperança! O Espirito Santo de Deus tornando novas todas as coisas porque um homem permaneceu confiante na Promessa de salvação!


Romanos 12: 12 . "Alegrem-se na esperança, sejam pacientes na tribulação, perseverem na oração."



O terceiro e último significado Bíblico para esperança é:

Elpis: Ocorre em I Tessalonicenses 1:3: "Lembrando-nos sem cessar da obra da vossa fé, do trabalho do amor, e da paciência da esperança em nosso Senhor Jesus Cristo, diante de nosso Deus e Pai". Aqui, no idioma grego, se refere a “permanecer confiante em uma promessa” (Strong 1680). Esperança na graça de Deus para vencer o mundo terreno firmado na promessa de eternidade com Cristo. É interessante porque sem Cristo essa certeza de vencer a vida e a morte, não se concretiza. Nenhuma filosofia, por mais racional e envolvente que pareça, garante o acesso a eternidade com Deus: “E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos.” Atos 4:12.



"E há esperanças, do derradeiro fim..." Jr 31:17



Não sei qual o motivo de sua espera, mas todos nós esperamos e todos os dias. Coisas rotineiras e que julgamos pequenas ou coisas que de uma forma mais intensa, consome nossos esforços, é um sonho maior. Aprendamos com as três faces da esperança, sabendo que nada grande se alcança sem que antes valorizemos “o pequeno, o simples”. Abraão esperou por 25 anos a chegada de Isaac (riso), mas foi preciso aprender com cada passo dado em direção a Terra Prometida. Noé fez toda diferença em sua geração, não se curvou as ofertas, não se intimidou com as criticas, renunciou a uma série de coisas para olhar firmemente para Deus. Enquanto os demais, comiam, bebiam, brincavam de ser feliz seguindo os padrões humanos de competição e outras passagens, Noé buscava conhecer a vontade de Deus para ele. Deve ter sido chamado de doido, careta e tudo o mais. Porém, teve a maior recompensa.


Esperança é uma palavra bonita e originada no coração de Deus. Nas cartas para as igrejas, essa palavra é citada juntamente com a fé e o amor: I Cor 13:3 "Assim, permanecem agora estes três: a fé, a esperança e o amor. O maior deles, porém, é o amor.” Não pretendo com esse estudo criar uma fórmula para esperança, dizer quando e como manter esperança, mas tornar conhecidos os conceitos Bíblicos sobre o tema, quem sabe você seja auxiliado em sua espera por um despertar de algo que tenha deixado morrer. Se isso acontecer, terá valido a pena. Para essa autora que vos escreve, valeu esse “pequeno tratado sobre esperança”. Ele me ensina que não posso me deixar abater pelos mesmos gigantes que afrontaram a terra em que morou Raabe, eles afrontaram o povo de Deus, e nessa guerra havia um cordão estendido sobre a porta de uma casa que foi salva da destruição. Quero essa promessa, preciso manter viva essa esperança para não ser derrotada, nem as pessoas que amo.



Aprendo que as muitas águas do dilúvio afundaram uma multidão de pessoas sem esperança, mas por causa de um que manteve viva essa virtude, foi concedida a prolongação da vida. Não houve nada nesse mundo que fizesse Noé desviar os olhos da promessa de Deus! E o que dizer de elpis ,  que até  me lembra “alpes": lugares altos, acima, elevados. Quando esse mundo maltratar , perseguir, ferir, elevemos  os olhos para elpis, porque a esperança do cristão repousa na eternidade! E que essa trindade da esperança seja uma boa lembrança para todos nós praticarmos, trazendo a memória aquilo que mantêm viva nossa alegria em um resgate,  promessas e  mundo vindouro. Vivamos alegremente, por cada passo em direção a Terra de Canaã, sabendo que um só com a esperança posta em Cristo pode fazer diferença para uma geração, ainda que seja uma geração de poucos, como os oito salvos na época de Noé e por essa causa, cá estamos hoje, falando sobre esperança. Que essas bençãos sejam reais para nós.

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Como interpretar Apocalipse?

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Introdução

Os debates sobre o livro de apocalipse são ad infinitum. Dentro da escatologia tupiniquim de nosso país os problemas ainda se agravam. Em geral, a escatologia brasileira é guiada e hipnotizada pelo sensacional e cinematográfico, em vez de ser guiada por uma análise séria do texto. 

Então, como devemos interpretar o Apocalipse de João? Literalmente? Simbolicamente? Ambos? As próprias regras hermenêuticas para a interpretação de textos apocalípticos em geral já responde nossa questão. Entretanto, uma análise cuidadosa do próprio texto esclarece para nós o caminho que devemos tomar. 

Neste breve artigo, veremos o significado e o pano de fundo de uma palavra logo no primeiro verso do livro. A palavra “semaino” (traduzida como notificar, na ARA) significando “comunicação por símbolos” será o objeto de nosso estudo. Não faremos uma análise exegética exaustiva, nem de Ap. 1.1, nem da sua alusão veterotestamentária, mas nos deteremos apenas na palavra semaino (para uma análise completa, ver Beale, 1999).

1. O significado de “semaino” (σημαίνω)

João inicia seu livro dizendo que é uma revelação (Ἀποκάλυψις) de Jesus Cristo, que pela mediação de um anjo, foi notificada a João (Ap. 1.1). A palavra que nós traduzimos como “notificou” (ἐσήμανεν) é o aoristo ativo do verbo σημαίνω. O léxico Inglês-Grego do NT traduz essa palavra como “fazer conhecer, comunicar, reportar, significar” (BAGD, 747). Todas essas definições trazem a ideia de comunicação, mas não especifica a natureza ou o modo dessa comunicação (Beale, 1999).

2. O pano de fundo de “semaino

Para entendermos com maior precisão o significado de semaino, precisamos analisar a clara alusão ao Antigo Testamento presente em Apocalipse 1.1. O texto alude a Daniel 2.28-30, 45. As cláusulas “revelação... Deus mostrou... o que deve acontecer... e fez conhecer (σημαίνω)” aparecem juntas somente em Dn. 2 e em Ap. 1.1 (Beale, ibid.).

σημαίνω de Daniel 2 é a tradução grega do aramaico yĕda (fazer conhecer). O modus da comunicação é definido pelo contexto, que trata sobre uma visão como uma comunicação simbólica por intermédio de um sonho. Essa natureza simbólica da comunicação é atestada em Dn. 2.45:
Porquanto viste que do monte foi cortada uma pedra, sem auxílio de mãos, e ela esmiuçou o ferro, o bronze, o barro, a prata e o ouro, o grande Deus faz saber (σημαίνω) ao rei o que há de suceder no futuro. Certo é o sonho, e fiel a sua interpretação”.

O contexto fala sobre o sonho que o rei Nabucodonosor teve sobre uma estátua composta de quatro partes feitas de metais diferentes (ouro, prata, bronze e ferro). Daniel interpretou cada parte como sendo grandes reinos mundiais, mas que no fim, foram substituídos/derrotados pelo reino de Deus. A revelação dada ao rei babilônico não era abstrata, mas sim pictórica (
ibid.). 

Portanto, João ao escolher semaino em vez de “gnorizo” (fazer conhecer), faz isso intencionalmente (e não por acaso) demonstrando a natureza simbólica dessa comunicação (o livro de Apocalipse) que é definida pela alusão à Dn. 2.

3. O uso de “semaino” no restante do NT

Semaino” tipicamente traz a noção de comunicação por símbolos quando não tem o sentido mais geral de “fazer conhecer”, e ambos os sentidos são encontrados na LXX (Septuaginta). Dos outros cinco usos no NT, dois tem o sentido de “fazer conhecer” (At. 11.28; 25.27) ainda que um deles (11.28) tenha nuanças de comunicação simbólica (revelação simbólica do profeta).

Os três outros usos estão no evangelho de João (Jo. 12.33; 18.32; 21.19), resumindo a descrição pictórica de Jesus sobre a crucificação (ibid.). Esse evangelho usa o substantivo cognato “semeion” repetidamente para se referir aos milagres de Jesus como “sinais” ou “símbolos” de seus atributos e de sua missão (Ibid.).

4. O paralelo entre “semaino” e “deiknymi” em Ap. 1.1

A definição semântica de semaino como “comunicação por símbolos” é reforçada pelo seu paralelo com a palavra δείκνυμι (mostrar) no mesmo verso: “Revelação de Jesus Cristo, que Deus lhe deu para mostrar aos seus servos...”. Embora essa palavra possa significar algum sinônimo de “fazer conhecer” em outras literaturas gregas, aqui ela tem o sentido de uma “revelação mediada por visões celestiais simbólicas comunicadas por um anjo (Beale, ibid.)”. O significado de “mostrar” para δείκνυμι é corroborado pelos outros sete usos dessa palavra em Apocalipse (4.1; 17.1; 21.9–10; 22.1, 6, 8). O que se é mostrado em cada uma delas é uma visão simbólica, e João escreve que ele “viu” (E eu vi - καὶ εἶδον) essas revelações pictóricas (p. ex. 17.3, 6; 21.22; 22.8; ibid.).

Conclusão

Tanto a semântica como o Background de semaino em Ap. 1.1 é de imensa importância para uma aproximação hermenêutica correta a esse livro. Alguns comentaristas presumem que Apocalipse algumas vezes explica o significado de suas imagens, e que, portanto, onde não há explicações, deve se interpretar conforme o sentido “natural/literal”, a menos que o contexto indique o contrário (Walvoord, Revelation, 30). Conclui-se disso que devemos interpretar Apocalipse literalmente, a menos que sejamos forçados pelo contexto a interpretá-lo simbolicamente. Entretanto, com a análise acima, concluímos exatamente o contrário. O material de Apocalipse é majoritariamente simbólico (no mínimo 1.12-20; 4.1-22.5). Obviamente algumas partes não são simbólicas, mas a essência do livro é figurativa (Ibid.). 

Greg Beale (op. cit.) demonstra que há quatro níveis de comunicação em Apocalipse: 1. Linguístico (o próprio texto); 2. Visionário (as experiências visionárias de João; 3. Referencial (que consiste numa identificação histórica específica dos objetos vistos na visão) e; 4. Simbólico (é o que os símbolos nas visões conotam sobre seu referencial histórico). Então, por exemplo, em Ap. 19.7-8 a descrição textual é o nível linguístico, que pode ser lido e/ou ouvido. As imagens da noiva e do linho fino são o que João viu no nível visionário. 3. No nível referencial, a figura do casamento da noiva com o noivo se refere ao regozijo atual dos cristãos em comunhão com Cristo, provavelmente após sua segunda vinda. Finalmente, o nível simbólico se refere ao que nós determinamos ser o sentido preciso da comunhão da noiva com o noivo e da imagem do casamento em geral (o linho fino é explicitamente interpretado como sendo os atos de justiça dos santos). Pelo menos parte desse simbolismo significa a união espiritual consumada da igreja com Cristo, em Sua presença, e a celebração jubilosa associada a essa união final (Beale).

Concluímos que o próprio autor de Apocalipse (João) determina logo no primeiro verso que devemos interpretar seu livro simbolicamente, a menos que o contexto explicitamente se mostre literal (como o autor, a ilha de Patmos, as sete igrejas, etc).     
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Bibliografia:

- Bauckham, Richard, "The theology of the Book of Revelation" (1993).
- W. Bauer, W. F. Arndt, F. W. Gingrich, and F. W. Danker, A Greek-English Lexicon of the New Testament. Chicago: University of Chicago, 1979.
- Beale, G. K. (1999). The book of Revelation: a commentary on the Greek text. Grand Rapids, MI; Carlisle, Cumbria: W.B. Eerdmans; Paternoster Press.
- "John´s use of the Old Testament in revelation",(1998).

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Autor: Willian Orlandi
Divulgação: Bereianos